Não se esqueçam, heróis não existem!

Sexta-feira no caminho de volta do trabalho, trânsito em coma, corpo visivelmente cansado eu paro e penso: “Pô, o Tony Stark não passaria por isso!”.

Claro que esse pensamento não passa de devaneio após uma semana de trabalho intenso, mas começei a pensar porque buscamos um alívio ou mesmo uma referência em personagens, e pior personagens racionalmente impossível de existir – ao menos que o Bill Gates resolva combater o crime com as próprias mãos (e bolsos).

Personagens sempre nós inspiram, menos pra mim! Sempre tive o pé no chão em olhar pro Bruce Wayne e falar: “Você não sabe o que é uma gastrite, playboy!”. E com um verdadeiro batalhão de super-heróis nos cinemas me faz refletir sobre as nossas projeções sobre tais personagens.

Nietzsche já afirmava que a arte é o alívio da vida, da existência; tomando a arte como fundamento, o cinema como o meio, que mediocridade de vida que estamos vivendo agora?! Os blockbusters de outras épocas mostrava uma humanidade mais preparada para assuntos mais complexos como O Poderoso Chefão, Um Sonho de Liberdade e A Lista de Schindler, enfim, obras que nos fazia repensar nossa relação com as pessoas, com o poder, com vida de modo geral de uma forma orgânica, onde cada um tem seus problemas reais e diante a atribuições buscam condições de reverter o quadro, sem explosões ou raça alienígena querendo dominar a terra.

Não me entendam mal quando critico super-heróis, sou fã desse gênero, me divirto bastante e modéstia parte tenho um certo conhecimento desse universo que me faz entender cenas pós-créditos que alguns não entendem. Mas minha inquietação é a que ponto estamos de nos apegar de tal maneira em personagens sem a mínima condição de existir para nós trazer o alívio que Nietzsche já dizia.

Gosto de Vingadores e Planeta dos Macacos, mas ainda sim prefiro me apegar a A Vida é Bela.